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A velocidade a que circula a informação, conjugada com a possibilidade de transmissão imediata por parte de um qualquer cidadão do mundo, em qualquer parte deste, é a grande vantagem da era da informação.
Como em tudo na vida não existem apenas vantagens mas também algumas desvantagens e essas prendem-se, em primeiro lugar, com a imersão a que somos sujeitos segundo a segundo, recebendo nas nossas “antenas” muitíssimo lixo informacional ou, pelo menos, informação não importante, o que nos dificulta, sobremaneira, a nossa capacidade de nos focarmos; em segundo lugar, a velocidade a que a informação “acontece” tem efeitos claros na forma como vivemos o nosso dia-a-dia, tornando-nos também corredores, impacientes e angustiados com a crescente necessidade de tudo acompanhar e de tudo conhecer.
O resultado mais visível e, eventualmente, mais nefasto da velocidade da informação é que todos nós começamos, consciente ou inconscientemente, a lidar com a nossa vida diária da mesma forma como lidamos com a informação; ou seja, o que é importante agora já deixou de o ser, ultrapassado pela notícia de última hora, verosímil ou inverosímil, como é possível pode testar nas redes sociais a todo o momento.
Em boa verdade devem ter sido os políticos os primeiros a reconhecer as vantagens que poderiam retirar de tal mecanismo, preocupando-se com o instantâneo e esquecendo-se do duradouro, ao ponto de serem capazes de horas após um discurso (estamos a ser benevolentes!) dizerem o oposto como se não tivesse havido um “antes”.
Naturalmente que mais preocupante do que os discursos vazios e, por vezes, contraditórios a que, genericamente, os políticos de última geração (independentemente da sua nacionalidade) nos têm habituado é a reflectividade deste imediatismo na tomada de decisão, realizada para a satisfação de dimensões imediatas e a consequente despreocupação com o futuro, a bem da verdade não muito longínquo.
No decorrer dos últimos anos muitas decisões políticas poderiam ser analisadas na perspectiva de tentarmos encontrar respostas com efeito a médio/longo prazo. Provavelmente, não encontraríamos mais do que meia dúzia (para continuarmos a ser benevolentes) para já não nos referirmos àquelas decisões que visavam efeitos de longo prazo e foram anuladas na perspectiva do curto prazo com efeitos sociais, económicos e outros graves.

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