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Introdução
O município de Lisboa, de acordo com os CENSOS de 2011, tem vindo a ter um aumento significativo da sua população residente, tendo à data da realização dos CENSOS de 2011 um total de 547733 indivíduos residentes. Relativamente ao edificado, tem um crescimento activo, quando comparado com os dados dos CENSOS anteriores, tendo à data dos CENSOS de 2011 um total de 52496 edifícios e 323981 alojamentos, dispersos actualmente por 24 freguesias.
A cidade de Lisboa já contou com grandes incêndios na sua história, uns mais falados do que outros, pelo que, por uma ordem cronológica, destacam-se o incêndio da Faculdade de Ciências em 1978, o incêndio no Teatro Maria Vitória no ano de 1986, o incêndio nos armazéns do Chiado em 1988 e o incêndio nos Paços do Concelho na data de 1996. Dos incêndios indicados anteriormente, há um grande destaque para o grande incêndio nos armazéns do Chiado, de acordo com o documento WG2 Analysis of significant fires and Statistical analysis of fires occurrence Final report, da FIRE-TECH, este ocorreu a 25 de Agosto de 1988, tendo envolvido dezoito edifícios, sendo a sua maioria construídos para serem usados como comércio, escritórios, habitações e um deles como mosteiro. A estrutura dos edifícios, tinha na sua grande parte paredes de suporte de alvenaria, pisos de madeira, estruturas do telhado de madeira. Muitos dos edifícios continham na sua estrutura aço e colunas de ferro fundido. Ao longo do tempo, tinham retirado paredes dos edifícios com o objectivo de criar espaços abertos, com o objectivo de criar mais espaço para o comércio ignorando medidas de segurança contra incêndio dos edifícios, criando assim aberturas para uma fácil propagação de incêndio. Este incêndio começou durante a noite num local havia uma grande densidade de carga de incêndio no seu interior, no edifício Grandella, contendo uma carga de incêndio estimada de 670×103 kg de madeira, e incluiu materiais inflamáveis (têxteis, papel, plásticos e garrafas de gás). Devido à inexistência de sistemas de detecção automática de incêndios e à não detecção do incêndio por parte do vigilante enquanto este estava no seu ponto inicial, não houve qualquer tipo de ataque inicial por parte de equipamentos extintores, tendo posteriormente sido dado o alarme à Brigada de Incêndios que demorou poucos minutos a chegar ao local, estando já o incêndio com largas proporções. Devido às várias aberturas de comunicação existentes no edifício (escadas de madeira sem protecção, escadas mecânicas, elevadores) entre os oito andares do edifício, estando alguns interligados entre si, aliado o tipo de material que ali se encontrava, facilmente se deflagrou um grande incêndio e se propagou aos edifícios contíguos que tinham aberturas de comunicação vertical. É de salientar que o facto de o incêndio ter ocorrido durante o período nocturno, foi uma mais-valia, uma vez que se tivesse ocorrido durante o período diurno estando as lojas com bastante população no seu interior, não havia caminhos de evacuação nem sistemas de extracção de fumos. As causas deste incêndio nunca foram totalmente esclarecidas, mas pensa-se que haja uma forte ligação entre o facto de trabalhos de soldagem nas obras de renovação que se estavam a fazer no 3.º andar do edifício Grandella. O forte poder de destruição deste incêndio, resultou em duas mortes, de um morador e de um bombeiro, destruição de vários edifícios, ou parte deles, perdas de património, entre outros, resultando num dano directo de prejuízos estimado de 80 milhões de Euros, e tendo demorado cerca de doze anos a reconstruir e normalizar a área afectada. Após o incêndio, os bombeiros permaneceram no local durante um período de cerca de dois meses a remover escombros, encontrando uma vítima mortal, cinquenta e oito dias depois. A reconstrução foi comandada pelo arquitecto Álvaro Siza Vieira que preservou muitas das fachadas ali antes existentes mantendo-as originais.

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