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Escrevemos este artigo nos dias seguintes aos ataques terroristas que tiveram lugar em Paris no dia 13 de novembro, na sequência do cancelamento de jogos de futebol em algumas partes da Europa, e no quase shutdown da cidade de Bruxelas durante o fim-de-semana de 21 e 22 de novembro no seguimento de um alerta de nível 4, o mais elevado da Bélgica, correspondendo à existência de informações credíveis sobre a iminência de um ataque terrorista.
Os ataques foram já esmiuçados por uma quantidade avassaladora de comentadores que sempre aparecem nestas alturas, alguns dos quais nem a par das últimas notícias estavam sendo que outros, embora em número muito reduzido, mereceram a nossa atenção e cujos comentários, em nossa opinião, deveriam ser objecto de alguma reflexão por parte do cidadão e, em particular, por parte de quem tem responsabilidades políticas, estratégicas e operacionais sobre a prevenção e o tratamento – nas suas várias vertentes – destas matérias.
Vamos tentar olhar para outras dimensões do problema.

1. O terrorismo é uma actividade humana
Independentemente de qualquer consideração de ordem ética e moral o terrorismo é uma atividade humana que, em particular a partir do século XVIII, não tem abandonado a humanidade, normalmente levado a cabo por aqueles que, defendendo uma qualquer ideia de uma qualquer natureza, entendem que é através da criação de medo e da submissão das pessoas através daquele que conseguem atingir os seus objetivos.
Não será, portanto, de acreditar que esta atividade possa ser erradicada conforme seria nosso desejo e conforme os políticos mais exaltados gostam de anunciar, em particular na sequência da materialização de ataques de índole terrorista.
Vamos ter que conviver com esta realidade, hoje levada a cabo por um grupo, amanhã por um outro qualquer.
Mas conviver com esta realidade não é sinónimo de determinismo ou de inação da nossa parte enquanto governos e cidadãos.
Se aos governos cabe, entre outras coisas, a utilização de toda a panóplia de ferramentas que visem prevenir, evitar e conter situações de natureza terrorista desde a conspiração, preparação, materialização e perseguição de eventuais atores terroristas, cabe-lhes, também, e de forma particularmente significativa, uma apreciação estratégica das decisões que tomam ou tenham de tomar, em termos internacionais, para que estas não originem situações que possam potenciar o aparecimento de grupos ou indivíduos que se achem legitimados para utilizar o terror como forma de luta e defesa das suas ideias.
Aos cidadãos cabe-lhes a não alteração do seu modo de vida social sob pena de, em sentido contrário, motivarem mais acções por parte daqueles que acham que através destas conseguem a sua submissão; por outras palavras, mesmo que correndo riscos, não devemos abdicar da nossa liberdade e do nosso modo e estilo de vida. O shutdown de cidades não é a nossa melhor forma de defesa pois, dessa forma, estamos a transmitir-lhes que estão atingir um dos seus objetivos, colocar-nos a todos em situação de receio e medo; no dia seguinte ao dos ataques de Paris, as carruagens do Eurostar na direção Londres – Paris iam algo vazias…
Por outro lado, cabe-lhes também apoiar os governos nas suas eventuais ações militares, pese embora a sempre negatividade existente nas opiniões públicas no que respeita a enviar forças militares terrestres para combate, o que hoje é compreensivelmente mais complicado dado o enquadramento pouco claro dos envolvimentos militares no Iraque, o que reforça a ideia de que as decisões estratégicas têm de ser bem pensadas para não terem, a curto prazo (como atualmente) repercussões negativas e exógenas às questões iniciais.

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