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Sendo o presente artigo, o último deste primeiro conjunto dedicado ao “Transporte Rodoviário de Mercadorias Perigosas”, gostaria desta forma singela, apresentar o meu tributo a esse grupo de profissionais, tantas vezes esquecidos e, muitas vezes só lembrados, quando é necessário responder às inadiáveis solicitações de uma qualquer emergência.
Os motoristas do transporte rodoviário de combustíveis sejam líquidos ou gasosos, enfrentam diariamente um conjunto alargado de riscos profissionais.
Os longos horários de trabalho expõe-nos a riscos que, em Portugal, muitos deles ainda não se encontram devidamente estudados. A exposição à variabilidade dos horários é uma realidade dura que faz com que os trabalhadores a laborarem em turnos ou de noite, os exponham perante um risco 40% maior, de desenvolver doenças cardiovasculares do que os em trabalho diurno.
Quando analisamos o mundo real do trabalho para observar as sensibilidades destes profissionais, constatamos coisas bem diversas e preocupantes.
Falam sobre as deficientes condições de trabalho, salientando a falta de qualidade da alimentação, das acomodações onde dormem, dos riscos que correm em certos locais de descarga, da orientação em atender rapidamente os clientes urgentes, referindo a solidão e até o desprezo com que são tratados. Para finalizar, abordam o controlo a que estão sujeitos, a exposição das suas vidas particulares perante os programadores e gestores de tráfego e, terminam destacando a morte nas estradas.
Meditando sobre estas temáticas, encontramos para análise e reflexão matérias com conteúdos bastante diferentes e de áreas científicas e técnicas distintas, embora juntas se relacionem e complementem para explicar essa panóplia de tarefas que a vida dos motoristas lhe impõe.
O desenvolvimento e o crescimento económico do Mundo, ainda não encontrou alternativas para o sistema logístico, com a finalidade de atender com maior rapidez e eficiência o escoamento da produção.
Ainda não foi dada a devida atenção às dificuldades dos trabalhadores, continuando-se a verificar doenças, acidentes, feridos e mortes, que, não bastando a perda imensurável das suas vidas, também põem em risco o meio ambiente e as populações adjacentes às estradas em que circulam.
Submetidos à particularidade do processo de trabalho, que envolve a condução de um veículo de grandes dimensões, o transporte de combustíveis e as relações sociais, esses profissionais representam, vivenciam e experimentam o trabalho de uma forma muito singular.
Ao fazermos um acompanhamento de proximidade na vida do seu dia-a-dia, deparamo-nos com um conjunto de exigências relativas às competências necessárias para o bom desempenho das tarefas inerentes.

Competências

  • Físicas e Psíquicas: Robustez física; Estado de espírito tranquilo; Atestado médico das aptidões mentais; Cumpridor com os tempos de condução e repouso; Recetivo a consultas médicas; Idoneidade comprovada por Certidão do Registo Criminal.
    Formação Específica: Código da Estrada (boa consolidação teórica e prática da tarefa condução); Roll Over; Condução defensiva; HSST; Primeiros socorros; Extinção de incêndios; Motivação; Gestão de conflitos.
  • Técnicas: Manusear produtos; Conhecer a viatura que conduz e os equipamentos que tem de manusear; Conhecer as propriedades físicas e químicas dos produtos que transporta; Conhecer as técnicas de enchimento dos diversos parques de carga; Saber ultrapassar as dificuldades de descarga nos clientes finais;
  • Organização: Estar a par das normas documentais das empresas (transportadoras e petrolíferas); Faturar junto dos clientes finais; Entregar documentos e valores após o regresso aos parques; Manuseamento com terminais “PDA” ou análogos; Possuir conhecimentos de informática.
  • Relações Interpessoais: Trabalhar em equipa; Contactar com auditores das petrolíferas, programadores e com técnicos dos parques de enchimento; Cooperar com subcontratantes; Criar afinidade com clientes finais; “Embaixador” das empresas (transportadoras e petrolíferas).

Como se pode ver na figura 1, o conjunto de competências exigíveis a um motorista que labora na distribuição de mercadorias perigosas é imensa e dispare.

Figura 1
As especificidades são inúmeras, levando-nos a pensar se as dificuldades encontradas serão ultrapassadas, de forma a garantir as questões ligadas à segurança, qualidade do serviço prestado, assim como à saúde e bem-estar dos trabalhadores envolvidos.

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