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Num primeiro momento, em algum ponto da evolução da humanidade, o homem passou a preocupar-se em tentar antever o que poderia acontecer no dia seguinte.
Num segundo momento, já não lhe bastava tentar antever; pretendia também influenciar as condições que pudessem alterar o que antevia como negativo.
No fundo, desde a leitura das entranhas de animais, passando pela consulta das cartas, até à utilização de modelos matemáticos recorrendo à enorme capacidade de processamento da informática, o homem procurou adivinhar o futuro, conhecer o dia seguinte, diminuir a incerteza do devir e, dessa forma, anular a sua permanente capacidade de surpresa. Não o conseguiu totalmente, mas ainda não desistiu.
Se a evolução técnica e científica da humanidade já lhe permite hoje, senão conhecer, pelo menos perceber as tendências da natureza e prever várias das suas manifestações, o mesmo não pode ser dito, genericamente, em relação ao comportamento humano, nas suas várias manifestações. O ser humano é fonte de permanente surpresa, de inovação e de criatividade, tanto positiva como negativa.
Entra neste capítulo o problema da decisão humana.
As decisões que todos os dias tomamos referem-se, independentemente da importância do resultado que se visa atingir, à incapacidade de prevermos o futuro. Se deste tivéssemos conhecimento, não havia necessidade de se tomar decisões pois ele estaria já predeterminado.
Então, há que procurar elementos que nos permitam diminuir o grau de incerteza associado a cada decisão e que, portanto, possam potenciar a hipótese de podermos atingir o resultado desejado.
O elemento principal de suporte à tomada de decisão é, naturalmente, a informação; a informação que nos permite conhecer a situação em que nos encontramos, a informação que nos leva à necessidade de tomar uma decisão, a informação que nos permite projectar um resultado desejado, a informação que nos mostra as dificuldades que terão de ser ultrapassadas, informação…informação… informação.
Se a informação é importante para qualquer decisão que tomamos, e cujo resultado poderá ser circunscrito ao decisor, adivinhe-se a importância da informação para o decisor político, o qual, supostamente, sabe que as suas decisões afectarão milhões de pessoas, um presente e um futuro.
Os instrumentos de suporte à decisão são muitos e variados, aos mais diversos níveis. Mas interessa-nos, neste particular, os serviços de inteligência (em Portugal designados como serviços de informação), instrumento vital (pelo menos em nosso entender) de apoio à tomada de decisão política. Eles permitem, com efeito, antever e avisar dificuldades, assim como recolher informação de suporte permitindo, ao nível político, projectar os potenciais resultados de cenários em análise e diminuir o nível de incerteza face ao resultado desejado.

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