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O Ministério da Administração Interna (MAI) é um ministério complicado de gerir porque, tal como as forças e serviços que tutela, está sempre “preso por ter cão e preso por o não ter”. Na realidade, desde a escassez de recursos, humanos, materiais e, necessariamente, financeiros, passando pelas sempre presentes guerras burocráticas na tentativa de cada uma das componentes obter para si a maior fatia do orçamento disponível, a acção de um ministro desta pasta não é fácil; se a estas dificuldades adicionarmos a permanente atenção dada pelos meios de comunicação social e as diferenças no exercício do cargo defendidas pelas várias forças políticas (apoiantes ou de oposição) temos de reconhecer que é necessária alguma coragem (acreditando que o titular do cargo o queira exercer de forma séria) para aceitar tal incumbência.
Se, à dificuldade do exercício do cargo, juntarmos alguma inabilidade política e pessoal, desconhecimento das matérias tuteladas, confusão entre a função política e as funções de comando e direcção, e incapacidade de reconhecimento da extensão de influência por parte de uma ou outra componente, então a vida de um ministro da Administração Interna não deve ser um mar de rosas.
Dito isto, em nossa opinião, não temos nos últimos anos encontrado uma acção consequente, sustentável e perene por parte dos titulares daquele cargo ainda que, pontualmente, algumas das acções prosseguidas tenham merecido o aplauso de vários dos observadores, nós próprios incluídos. Por outras palavras, não parece existir uma estratégia definida e consequente para a acção do MAI e tal aparente falta não decorre de agora mas vem sendo uma constante nos últimos 21 anos; dir-se-á que será mesmo o único factor permanente.
Perguntar-se-á se esta falta de estratégia decorre da incapacidade e/ou do desinteresse dos titulares, do desconhecimento da equipa de assessoria, das influências das componentes, da falta de recursos, de um misto de todas estas razões, entre outras, ou se, de facto, o MAI precisará de uma qualquer estratégia.
Parece inquestionável que o MAI necessita de uma estratégia que permita uma verdadeira racionalização dos (vários) recursos, possibilitando recursos mais modernos, eficazes e eficientes para as várias componentes sem colocar em causa os objectivos da segurança pública e, se possível, aumentando o nível daquela. Já não chega o discurso do costume que diz não existirem recursos para se fazer o que necessita de ser feito; provavelmente é apenas necessária coragem política, desde que submetida a objectivos claros, mais do que dinheiro.

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