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As raquialgias, em particular a lombalgia crónica inespecífica, cuja etiologia e/ou agravamento podem estar relacionados com o trabalho, através da exposição a fatores de risco profissionais, são uma das patologias mais frequentes no adulto. Tal patologia em situações concretas, noutros países e em determinadas circunstâncias e atividades ou exposições profissionais, pode constar da Lista das Doenças Profissionais e, dessa forma, pode ser considerada legalmente como doença profissional (INRS, 1999).
Em termos técnicos e científicos a lombalgia crónica inespecífica é considerada como uma “Doença relacionada com o trabalho” (Sousa-Uva, 2009). Entende-se como uma doença em que o trabalho pode ser um co-fator na sua etiologia, independentemente da maior ou menor importância que possa adquirir na matriz etiológica multifatorial.
Assume-se, portanto, nas raquialgias que os fatores individuais são relevantes na sua etiologia, não atribuindo consequentemente aos fatores profissionais o papel de “agente” etiológico, entendido como fator determinante como o vírus de imunodeficiência humana é para a SIDA, por exemplo. De facto, as queixas de raquialgias são muito frequentes, independentemente dos respetivos contextos profissionais, ainda que seja igualmente verdade que são mais frequentes em atividades profissionais com importantes solicitações da coluna vertebral.
Entre aquelas variáveis de natureza individual, a boa saúde osteoarticular da coluna vertebral e a boa condição física são, por vezes, consideradas elementos de particular importância e que devem ser determinantes na avaliação da saúde dos trabalhadores. Assume-se, implicitamente, que as situações de trabalho (fisicamente exigentes) são imutáveis e o que é importante e decisivo na prevenção das raquialgias são, exclusivamente, os referidos fatores de natureza individual.
Trata-se de um profundo equívoco e a profusa bibliografia sobre esse tema contraria tal perspetiva, mesmo assumindo um relativo desconhecimento da globalidade do processo etiopatogénico da maioria das raquialgias inespecíficas. Assinale-se, a tal propósito que a multidimensionalidade de fatores envolvidos na etiologia da lombalgia profissional, quer físicos, quer mentais (psicológicos e psicossociais), têm uma substantiva influência na resposta à carga imposta aos tecidos a nível da coluna lombo-sagrada e é necessário melhorar a compreensão dos limites de tolerância tecidular resultantes da aplicação de força/carga (Marras, 2012). Tais limites dependem, entre outros, da situação de trabalho e, portanto, são possíveis de controlar enquanto os fatores individuais, em particular de origem genética, não são controláveis.

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